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Os dados da produção e da extração vegetal do Brasil são fundamentais para entender a dinâmica dos recursos florestais madeireiros e não madeireiros provenientes da agricultura, silvicultura e extrativismo em áreas naturais. A produção vegetal engloba alimentos e matérias-primas cultivados no país, como madeira de florestas plantadas (silvicultura), além de produtos de espécies nativas do Brasil que foram domesticadas para cultivo em larga escala, como o açaí, a erva-mate, a borracha e a castanha-de-caju. Por outro lado, a extração vegetal refere-se à obtenção de recursos naturais renováveis por meio do extrativismo, como madeira, borracha, castanhas e frutos silvestres coletados em formações florestais naturais e espontâneas. Informações e dados sobre esses temas são divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possibilitando realizar a análise da quantidade, diversidade e distribuição geográfica dos recursos vegetais explorados.

A Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) do IBGE oferece informações e estatísticas sobre a quantidade e o valor dos principais produtos madeireiros e não-madeireiros obtidos por meio do processo de exploração dos recursos florestais naturais (extrativismo vegetal) ou da exploração de maciços florestais plantados (silvicultura/cultivo).

Já a Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), também do IBGE, coleta informações sobre a produção florestal de origem plantada, classificadas como culturas e lavouras permanentes. Assim, a pesquisa fornece dados sobre a área plantada, área destinada à colheita, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção de produtos florestais madeireiros e não-madeireiros. Esses dados permitem uma análise detalhada da diversidade de recursos explorados, dos métodos de extração utilizados e das regiões onde ocorre a coleta.

Adicionalmente, a Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE fornece informações detalhadas sobre o desempenho da indústria brasileira, incluindo os setores ligados à transformação de produtos florestais. Os produtos florestais madeireiros analisados pela PIA referem-se principalmente ao processamento de madeira proveniente de florestas nativas e plantadas, e incluem uma ampla variedade de produtos resultantes do desdobramento e beneficiamento industrial da madeira. Assim, a PIA coleta uma ampla gama de informações econômico-financeiras, incluindo quantidade produzida e valor da produção, fornecendo informações essenciais para entender a dinâmica do setor industrial madeireiro brasileiro.

Produtos Florestais Madeireiros (PFM)

A produção madeireira brasileira provém, principal­mente, de áreas de plantios florestais. Em 2023, 95% do carvão vegetal, 94% da madeira em tora e 74% da lenha tiveram origem em áreas plantadas. Observa-se uma tendência de aumento na produção madeireira nos úl­timos anos, exceto para carvão vegetal, que apresentou uma redução na extração em 2023, com uma queda de 444 mil toneladas em relação ao ano anterior.

Tabela 16 - Quantidade de Produtos Florestais Madeireiros provenientes de florestas naturais e plantadas entre 2018 e 2023. Baixar dados

Produto Origem 2018 2019 2020 2021 2022 2023
Carvão vegetal (mil t) Natural 339 372 374 442 473 379
Plantada 6.091 6.018 6.184 6.859 7.122 6.772
Total 6.430 6.390 6.558 7.300 7.595 7.151
Lenha (mil m³) Natural 20.087 19.215 19.322 19.063 19.723 19.502
Plantada 52.518 51.222 50.359 51.573 52.687 55.729
Total 72.606 70.437 69.681 70.637 72.410 75.231
Madeira em tora (mil m³) Natural 11.617 12.096 11.379 15.003 12.405 11.286
Plantada 146.439 130.911 143.341 148.554 168.263 173.138
Total 158.056 143.006 154.720 163.557 180.668 184.424

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Os produtos madeireiros são usados principalmente pela indústria (58%), enquanto 42% são destinados como combustível. A maior parte desses recursos flo­restais provém de plantios.

Figura 14 - Destino da produção de madeira provenientes de florestas plantadas e nativas em 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Madeira para uso industrial é a madeira utilizada para a produção de celulose, serrados, laminados, chapas e outros usos. A madeira para uso combustível é proveniente da soma de lenha e carvão transformado em lenha (1m³ lenha = (1t carvão x 1000/250) x2).

Figura 15 - Destino da produção de madeira segundo origem do recurso florestal em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Madeira para uso industrial é a madeira utilizada para a produção de celulose, serrados, laminados, chapas e outros usos. A madeira para uso combustível é proveniente da soma de lenha e carvão transformado em lenha (1m³ lenha = (1t carvão x 1000/250) x2).

Em 2023, foram comercializados R$ 35,1 bilhões em produ­tos madeireiros no Brasil. O valor do metro cúbico da ma­deira em tora extraída de florestas naturais é mais alto que o da madeira proveniente da silvicultura. Em contrapartida, o preço da lenha de áreas naturais é menor que o valor da lenha obtida de florestas plantadas. O preço da tonelada de carvão proveniente de florestas plantadas, em 2023, passou a ser superior ao valor observado em florestas naturais.

Tabela 17 - Valor comercial dos principais Produtos Florestais Madeireiros do Brasil entre 2018 e 2023 segundo origem do recurso florestal 1. Baixar dados

Produto Origem Valor (milhões R$)
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Carvão vegetal Natural 345 409 444 525 553 408
Plantada 5.378 5.030 6.719 7.423 7.393 7.488
Total 5.722 5.439 7.163 7.948 7.946 7.895
Lenha Natural 691 642 655 653 695 712
Plantada 2.816 2.772 2.844 2.998 3.721 4.266
Total 3.508 3.414 3.499 3.651 4.415 4.978
Madeira em tora Natural 2.443 2.639 2.459 3.294 2.918 2.861
Plantada 12.824 11.529 13.325 15.281 17.285 19.404
Total 15.268 14.168 15.784 18.576 20.203 22.265

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1 Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 16 - Preço da madeira em tora entre 2018 e 2023 segundo a origem do recurso florestal 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 17 - Preço da lenha entre 2018 e 2023 segundo a origem do recurso florestal 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 18 - Preço do carvão vegetal entre 2018 e 2023 segundo a origem do recurso florestal 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM)

Produtos extraídos de florestas naturais

Os principais produtos extraídos de florestas naturais em 2023 foram erva-mate, açaí, pequi, castanha-do-pará e amêndoas de babaçu, que juntos representaram aproximadamente 80% da receita total obtida com produtos não madeireiros de florestas nativas.

Tabela 18 - Quantidade extraída dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros da extração vegetal de espécies nativas do Brasil entre 2018 e 2023. Baixar dados

Produto Extração (t)
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Açaí (fruto) 221.646 222.706 220.489 227.118 247.034 238.891
Babaçu (amêndoa) 50.804 48.706 37.946 32.076 30.477 26.475
Borracha (látex coagulado) 866 842 925 962 997 1.429
Buriti 497 476 482 473 422 407
Carnaúba 1.389 1.441 1.398 1.427 1.490 1.514
Carnaúba (cera) 1.124 905 805 736 645 584
Carnaúba (pó) 17.943 19.465 19.453 19.841 18.592 15.936
Castanha-de-caju 1.421 1.779 1.939 1.769 1.551 1.574
Castanha-do-pará 34.170 32.905 33.118 32.537 38.169 35.351
Copaíba (óleo) 165 159 163 170 265 299
Cumaru (amêndoa) 170 127 117 116 136 125
Erva-mate 346.941 371.659 426.034 505.504 441.755 425.829
Jaborandi (folha) 295 296 296 291 300 245
Licuri (coquilho) 1.078 1.050 1.067 1.037 1.100 1.160
Mangaba (fruto) 1.751 1.749 1.976 2.173 1.849 2.560
Palmito 4.336 4.296 4.274 4.133 3.923 3.664
Pequi (amêndoa) 765 741 698 890 646 604
Pequi (fruto) 22.078 27.868 63.820 61.636 48.018 51.371
Piaçava 8.481 7.679 7.912 7.498 6.642 6.859
Pinhão 9.561 9.374 10.605 12.485 13.377 12.120
Tucum (amêndoa) 401 374 360 374 353 295
Umbu (fruto) 8.203 8.544 9.467 12.784 14.206 15.289

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Tabela 19 - Valor comercial dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros da extração vegetal de espécies nativas do Brasil entre 2018 e 2023 1. Baixar dados

Produto Valor (mil R$)
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Açaí (fruto) 780.781 755.371 862.883 869.117 873.210 853.147
Babaçu (amêndoa) 121.575 114.537 89.383 75.895 74.994 68.831
Borracha (látex coagulado) 4.835 5.364 8.253 8.496 9.765 18.316
Buriti 3.119 3.009 2.964 3.385 2.904 2.785
Carnaúba 4.502 4.560 4.403 4.174 4.290 4.224
Carnaúba (cera) 18.426 19.954 21.666 21.247 16.782 14.862
Carnaúba (pó) 249.604 280.833 292.297 312.210 274.150 209.499
Castanha-de-caju 5.593 6.757 7.398 7.344 6.000 5.814
Castanha-do-pará 172.645 174.072 122.479 154.903 178.829 172.252
Copaíba (óleo) 5.204 5.132 5.242 5.584 10.717 12.865
Cumaru (amêndoa) 5.414 3.834 3.262 3.521 4.610 5.425
Erva-mate 527.234 516.815 695.596 858.849 682.078 589.570
Jaborandi (folha) 1.647 1.596 1.607 1.502 2.008 1.188
Licuri (coquilho) 2.060 1.833 2.038 2.090 2.324 2.651
Mangaba (fruto) 4.982 5.122 6.060 6.316 5.220 6.954
Palmito 20.644 21.838 22.482 21.463 21.124 18.875
Pequi (amêndoa) 3.938 3.746 3.674 4.192 4.002 3.728
Pequi (fruto) 24.743 25.960 56.232 55.588 51.599 65.750
Piaçava 16.401 12.121 15.342 14.586 12.749 14.037
Pinhão 32.849 36.346 50.935 50.075 54.488 61.899
Tucum (amêndoa) 1.498 1.287 1.218 1.223 1.136 824
Umbu (fruto) 11.412 12.622 14.771 19.877 21.520 24.328

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1 Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Em 2023, os produtos extrativistas alimentícios repre­sentaram 84% do valor total comercializado de produtos não madeireiros. Esses produtos desempenham um pa­pel crucial na economia de muitas comunidades rurais e na conservação da biodiversidade, principalmente em regiões onde o extrativismo é uma prática sustentável.

Figura 19 - Contribuição relativa de cada Produto Florestal Não Madeireiro para o valor total arrecadado com extração vegetal de espécies nativas do Brasil em 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Os principais produtos alimentícios extraídos em 2023 foram: erva-mate (426 mil t), açaí (239 mil t), pequi (51 mil t) e castanha-do-pará (35 mil t). A amêndoa de ba­baçu foi o principal produto oleaginoso extraído, tota­lizando cerca de 27 mil toneladas. Esses produtos têm importância cultural, social e econômica, com grande potencial para a indústria alimentícia e farmacêutica.

Figura 20 - Quantidade extraída (t) dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros da extração vegetal de espécies nativas do Brasil em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Nas figuras seguintes estão indicados os estados onde se concentram as extrações dos principais produtos extrativistas não madeireiros. A erva-mate é extraída naturalmente na região Sul do Brasil, enquanto o açaí e a borracha natural são predominantes na região Norte. A castanha-de-caju, por sua vez, é extraída principalmente na região nordeste do país.

Figura 21 - Regiões de extração do açaí e quantidades extraídas de áreas naturais em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Figura 22 - Regiões de extração de borracha (látex coagulado) e quantidades extraídas de áreas naturais em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Figura 23 - Regiões de extração de castanha-de-caju e quantidades extraídas de áreas naturais em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Figura 24 - Regiões de extração da erva-mate e quantidades extraídas de áreas naturais em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

Produtos colhidos de lavouras

Entre os principais Produtos Florestais Não Madeireiros provenientes de lavouras permanentes, destacam-se o açaí, borracha coagulada, amêndoa de cacau e castanha-de-caju. Não foram identificadas áreas cultivadas para pequi ou castanha-do-pará na pesquisa PAM/IBGE. As regiões de área colhida em hectares, dos principais produtos não madeireiros registrados pela PAM em 2023 estão representados nas figuras seguintes.

Figura 25 - Área colhida de açaí proveniente de lavouras permanentes em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Figura 26 - Área colhida de borracha (látex coagulado) proveniente de lavouras permanentes em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Figura 27 - Área colhida de castanha-de-caju proveniente de lavouras permanentes em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Figura 28 - Área colhida de erva-mate proveniente de lavouras permanentes em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Tabela 20 - Quantidade produzida dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros de lavouras permanentes no Brasil entre 2018 e 2023. Baixar dados

Produto Produção (t)
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Açaí 1.301.472 1.399.828 1.477.718 1.483.499 1.699.779 1.696.485
Borracha (látex coagulado) 332.861 362.388 376.898 399.753 420.134 463.401
Cacau (em amêndoa) 239.318 259.451 269.740 302.126 301.026 296.145
Castanha-de-caju 141.386 138.597 139.321 111.012 147.184 127.931
Erva-mate (folha verde) 509.949 522.259 527.546 557.927 618.601 736.893
Palmito 107.386 112.991 110.190 110.765 109.776 108.459
Urucum (semente) 16.613 15.637 13.666 12.252 11.846 13.075

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Tabela 21 - Valor de produção dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros de lavouras permanentes no Brasil entre 2018 e 2023 1. Baixar dados

Produto Valor (mil R$)
2018 2019 2020 2021 2022 2023
Açaí 3.586.437 3.883.004 5.775.047 5.975.521 6.466.573 8.056.995
Borracha (látex coagulado) 988.017 1.123.324 1.200.239 1.685.428 1.971.211 1.400.243
Cacau (em amêndoa) 2.858.103 3.222.524 4.012.758 4.478.544 4.325.344 4.633.660
Castanha-de-caju 506.026 494.594 557.153 537.258 620.065 453.163
Erva-mate (folha verde) 562.294 617.783 716.853 815.790 890.476 957.714
Palmito 382.836 383.987 368.711 355.751 423.949 412.144
Urucum (semente) 107.485 61.837 61.010 78.405 99.510 161.704

Fonte: Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1 Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Comparação entre produção por extração e colheita

Figura 29 - Quantidade dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros produzida em lavouras permanentes (PAM) ou extraída da vegetação nativa (PEVS) em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Para o produto açaí, a produção a partir de lavouras permanentes (1,7 milhões t) foi muito superior à extra­ção em áreas de vegetação nativa (238 mil t) em 2023. Acre, Amapá e Maranhão são os estados que ainda man­tém grande parte de sua produção de açaí por meio de práticas extrativistas.

Figura 30 - Quantidade de açaí produzida em lavouras permanentes ou extraída da vegetação nativa em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

A maior parte da produção de borracha (látex coagulado) provém de lavouras permanentes (463 mil t), destacan­do São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Bahia que juntos produzem 91% da produção nacional. Uma pequena parte, cerca de 0,3%, provém de vegetações naturais em Acre, Amazonas e Rondônia, principalmente.

Figura 31 - Quantidade de borracha produzida em lavouras permanentes ou extraída da vegetação nativa em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

Quanto a produção de castanha-de-caju, 99% do produ­to é proveniente de lavouras permanentes (128 mil t), destacando Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí como os maiores produtores em 2023.

Figura 32 - Quantidade de castanha-de-caju produzida em lavouras permanentes ou extraída da vegetação nativa em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

A erva-mate é um produto de grande relevância no Sul do Brasil, região que foi responsável por 99% da produ­ção nacional em 2023. O Paraná é o maior produtor da erva com 737 mil toneladas em 2023, sendo 50% destas de origem extrativista.

Figura 33 - Quantidade de erva-mate produzida em lavouras permanentes ou extraída da vegetação nativa em 2023.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

As figuras seguintes apresentam uma comparação ao longo do tempo entre os dados de produtos oriundos do extrativismo e dos produtos procedentes das lavouras. Essa comparação reforça a necessidade de um equilí­brio entre o extrativismo sustentável e o cultivo permanente, uma vez que ambos os sistemas têm o potencial de contribuir para a economia rural e a conservação dos ecossistemas.

Figura 34 - Quantidade produzida e preço comercial do açaí em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 35 - Quantidade produzida e preço comercial da borracha (látex coagulado) em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 36 - Quantidade produzida e preço comercial da castanha-de-caju em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 37 - Quantidade produzida e preço comercial da erva-mate em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 38 - Quantidade produzida e preço comercial do palmito em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 39 - Quantidade produzida e preço comercial do urucum em relação a sua origem (extrativismo ou lavoura) entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a) e Pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE, 2024b).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Produtos de florestas plantadas

Quanto aos Produtos Florestais Não-Madeireiros provenientes de florestas plantadas (silvicultura), as publicações do IBGE identificaram a casca de acácia-negra, folhas de eucalipto e resina. A produção desses recursos florestais provenientes de áreas plantadas evidencia a importância da silvicultura para suprir a demanda de recursos vegetais.

Tabela 22 - Quantidade produzida, valor e preço dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros provenientes de florestas plantadas no Brasil entre 2018 e 2023 1. Baixar dados

Produto 2018 2019 2020 2021 2022 2023
Quantidade (t) Acácia-negra (casca) 145.423 186.704 180.018 200.222 153.005 99.039
Eucalipto (folha) 84.354 86.656 82.551 87.826 89.971 114.322
Resina 121.162 127.051 143.478 161.185 132.363 142.171
Valor (mil R$) Acácia-negra (casca) 44.507 58.475 59.964 72.157 79.665 58.905
Eucalipto (folha) 6.688 6.807 6.680 5.212 4.688 7.501
Resina 477.812 477.267 542.066 1.128.388 880.966 499.661
Preço (R$/t) Acácia-negra (casca) 306 313 333 360 521 595
Eucalipto (folha) 79 79 81 59 52 66
Resina 3.944 3.756 3.778 7.001 6.656 3.515

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1 Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Figura 40 - Preço dos principais Produtos Florestais Não Madeireiros provenientes de florestas plantadas no Brasil entre 2018 e 2023 1.

Fonte: Pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE, 2024a).

1Valores corrigidos para 2023 segundo IPCA.

Produtos processados

Os principais Produtos Florestais Madeireiros Processados analisados pela Pesquisa Industrial Anual (PIA) são:

  • Papel e Celulose: as fibras de celulose, extraídas das árvores, são usadas para a fabricação de papel, sendo este um setor altamente relevante dentro da indústria de produtos florestais;
  • Madeira Serrada: este produto é derivado do desdobramento de toras, sendo uma das principais categorias de produtos madeireiros. Possui ampla aplicação na construção civil, desde a construção de estruturas complexas até em acabamentos e detalhes decorativos;
  • Compensados e Laminados de madeira: são painéis formados por lâminas coladas e prensadas, conferindo ao material alta resistência e estabilidade. São produtos de maior valor agregado, resultantes do processamento industrial da madeira e a produção desses itens é um reflexo da sofisticação do setor e da demanda por materiais de construção e móveis de maior qualidade e resistência;
  • Móveis de madeira: a indústria de móveis é outro ramo essencial dentro do setor madeireiro, e a PIA examina a produção de diferentes tipos de móveis, desde peças mais simples até itens de maior valor agregado.

A produção primária de Papel e Celulose registrou um crescimento de 6,3% entre 2019 e 2022 em comparação ao quadriênio de 2015 a 2018, com a quantidade de ce­lulose produzida permanecendo acima de 18 milhões de toneladas durante os últimos três anos da série. Embora com menor participação no total, a produção de papel reciclado triplicou nos últimos quatro anos da série em comparação com os primeiros quatro anos.

Tabela 23 - Produção anual (mil t) de Celulose e Papel entre 2015 e 2022. Baixar dados

Produto 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Quadriênio Variação
2015-2018 2019-2022
Celulose 14.007 14.805 16.169 20.072 16.343 18.042 19.074 19.484 65.052 72.945 12,10%
Papel e cartão 11.156 11.444 11.094 11.216 12.001 10.287 10.281 10.392 44.910 42.961 -4,30%
Papel reciclado 92 65 114 194 371 107 677 344 465 1.499 222,20%
Total 25.255 26.314 27.377 31.482 28.715 28.436 30.032 30.221 110.427 117.404 6,30%

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).

Os produtos secundários de papel apresentaram um aumento de 8,7% na quantidade produzida (em t) ao comparar os quadriênios 2015-2018 e 2019-2022. Os produtos secundários de papel são compostos principalmente por tipos de embalagens, que representam 68,6% do valor total desse setor. Dentre eles, destacam-se as caixas de papelão, com 35,2% do valor de produção, seguidas por embalagens impressas de papel, papel cartão ou cartolina (11,6%, no total), caixas ou outras cartonagens dobráveis de papel-cartão ou cartolina (11,0%) e sacos, sacolas e bolsas de papel (7,5%). O papel higiênico, que também faz parte do grupo de produtos secundários de papel, corresponde a 15,1% do valor total de produção desse grupo.

Figura 41 - Contribuição relativa dos produtos secundários de papel entre 2019 e 2022.

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).

Os produtos primários da madeira (Madeira Serrada, Compensados, Laminados e Painéis) apresentaram crescimento na produção entre 2019 e 2022 em comparação com o quadriênio anterior, sendo que os painéis de fibra registraram o aumento mais modesto. O destaque foi para os laminados, que tiveram um crescimento de 122,6% no último quadriênio, com a maior alta em 2021, quando a produção triplicou em relação ao ano anterior. A produção de compensados, produto derivado dos laminados, também apresentou um aumento constante ao longo dos oito anos da série, com seu pico de crescimento registrado em 2021.

Tabela 24 - Produção anual (mil m³) de produtos primários da madeira entre 2015 e 2022. Baixar dados

Produto 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Quadriênio Variação
2015-2018 2019-2022
Madeira serrada 5.368 5.070 5.412 6.677 7.223 6.376 8.436 9.743 22.527 31.777 41,10%
Compensados 2.462 2.964 3.006 3.267 3.359 3.484 4.499 4.591 11.699 15.934 36,20%
Laminados 1.371 691 727 638 629 809 2.472 3.716 3.426 7.626 122,60%
Painéis de fibra 5.794 5.609 5.600 5.739 5.107 5.449 6.952 6.350 22.741 23.858 4,90%
Painéis de partículas 3.544 2.901 3.266 3.621 4.207 4.475 5.975 4.240 13.332 18.898 41,70%
Total 18.538 17.234 18.012 19.941 20.525 20.594 28.334 28.640 73.725 98.093 33,10%

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).

Os produtos secundários da madeira (marcenaria, produtos refinados, carpintaria, exceto móveis) apresentaram crescimento modesto de 5,3% na quantidade produzida (em mil m²) no comparativo entre os quadriênios 2015-2018 e 2019-2022. No entanto, quando a quantidade produzida desses produtos foi medida em milhões de unidades, houve aumento de 40,4%.

O valor de produção desses produtos está concentrado principalmente em portas e janelas (24,0%) e em madeira perfilada ou perfis de molduras (22,4%), representando quase metade do valor total.

Figura 42 - Contribuição relativa dos produtos secundários da madeira (exceto móveis de madeira) entre 2019 e 2022.

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).

Na produção de móveis de madeira (outro tipo de produto secundário da madeira) destacam-se os móveis de uso residencial, particularmente os armários não embutidos ou para cozinhas, que correspondem a 17,4% do valor total de produção de móveis de madeira, além de móveis de madeira para uso residencial, exceto mesas, embutidos ou para cozinhas, que representam 10,3%, e de móveis embutidos para cozinha, com 9,7% do faturamento.

Para unidades de móveis de madeiras, houve aumento significativo na produção (+141,9%), com crescimento impulsionado principalmente por componentes, partes e peças de madeira para móveis (portas, laterais, prateleiras e semelhantes), que possuem menor valor agregado em comparação a outras classes de atividades (crescimento de 179,4%). Também houve considerável aumento na produção de assentos e cadeiras de madeira, de 57,6%.

Tabela 25 - Quantidade produzida de produtos secundários de madeira (móveis e outros produtos exceto móveis) e produtos secundários de papel 1. Baixar dados

Produtos Unidade de medida 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Quadriênio Variação
2015-2018 2019-2022
Produtos secundários da madeira (exceto móveis) mil m 25.024 28.013 44.849 39.626 35.021 23.419 24.394 25.471 137.512 108.305 -21,24%
mil m³ 4.114 2.485 1.758 1.776 2.059 2.427 2.399 3.318 10.134 10.203 0,68%
mil m² 39.076 28.193 38.360 35.070 34.806 34.737 41.671 36.984 140.700 148.197 5,33%
milhão de unidades 4.350 4.334 6.228 7.600 6.428 6.287 8.722 10.159 22.511 31.596 40,36%
mil t 26 25 41 49 75 84 195 134 141 489 246,55%
Produtos secundários da madeira (móveis) mil m² 46.561 38.711 30.943 39.438 45.711 46.486 60.490 55.166 155.653 207.853 33,54%
milhão de unidades 76 86 137 199 293 290 317 305 498 1.205 141,93%
Produtos secundário de papel milhão de unidades 573 891 589 422 448 349 251 450 2.475 1.498 -39,50%
mil t 11.036 9.766 9.042 8.783 9.612 9.339 11.096 11.929 38.626 41.975 8,67%

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).

1 Foram consideradas apenas classes de produtos medidos pela mesma unidade durante todo o período analisado.

Tabela 26 - Quantidade produzida de produtos secundários de madeira (móveis e outros produtos exceto móveis) e produtos secundários de papel por classe de atividade. Baixar dados

Produto Classes de atividades industriais Unidade de medida Quantidade Variação
2015-2018 2019-2022 Absoluta Relativa
Produtos secundários da madeira (exceto móveis) Madeira densificada (MDF), em blocos, pranchas, lâminas ou perfis mil m³ 3.332 922 -2.409 -72,32%
Madeira desbastada ou arredondada, não trabalhada de qualquer outro modo; madeira em fasquias, lâminas, fitas e semelhantes 2.047 4.523 2.475 120,89%
Portas e janelas de madeira mil m² 75.591 86.784 11.193 14,81%
Tacos e frisos de madeira para assoalhos, forros de madeira, exceto de madeira folheada ou compensada 38.508 16.693 -21.815 -56,65%
Painéis de madeira para assoalhos 26.600 44.720 18.120 68,12%
Artigos diversos de madeira não especificados em outras classes milhões de unidades 14.703 17.292 2.589 17,61%
Caixotes, caixas, engradados, barricas e embalagens semelhantes de madeira 6.831 13.709 6.878 100,70%
Cabos de madeira para ferramentas, vassouras, escovas, etc. 677 354 -322 -47,63%
Obras diversas de carpintaria para construção, n.e. mil t 125 470 345 274,76%
Produtos secundários da madeira (móveis) Armários de madeira para uso residencial, exceto embutidos ou modulados e para cozinhas mil m² 60.141 85.016 24.875 41,36%
Móveis de madeira embutidos ou modulados para cozinhas 48.344 92.146 43.802 90,60%
Móveis diversos de madeira para instalações comerciais, escolas, igrejas, oficinas e outras instalações semelhantes, exceto balcões e vitrines 12.608 5.903 -6.705 -53,18%
Móveis de madeira embutidos ou modulados para uso residencial, n.e.; exceto para cozinhas 9.431 4.684 -4.747 -50,34%
Móveis de madeira embutidos ou modulados para escritório, n.e. 3.703 1.641 -2.062 -55,69%
Componentes, partes e peças de madeira para móveis (portas, laterais, prateleiras e semelhantes); inclusive cabeceiras para camas tipo box milhões de unidades 390 1.091 700 179,41%
Assentos e cadeiras de madeira, exceto para escritório 10 17 6 57,62%
Produtos secundários de papel Caixas de papelão ondulado ou corrugado, impressas ou não mil t 13.975 16.511 2.537 18,15%
Sacos, sacolas e bolsas de papel, impressos 1.774 2.779 1.005 56,63%
Cadernos milhões de unidades 1.568 1.079 -489 -31,18%

Fonte: Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE, 2024c).